domingo

Sejamos solidários

Como alguns já sabem, eu sou Mãe de acolhimento. Inscrevi-me nos serviços competentes, afim de me serem "dadas" crianças para eu criar e amar como filhos.
Foram-me entregues pela Segurança Social 2 meninos órfãos irmãos, (um casal) por tempo indeterminado, que já perfez os 5 anos.
Com a vinda destes filhos, vi-me forçada a comprar carro e casa que se adaptassem à nossa nova condição de vida, passámos a 6, como podem imaginar a mudança foi absolutamente radical. Ao aumentar o espaço, aumentou o tempo, a disponibilidade, a paciência, as brincadeiras e os afectos (ao que um ser humano se adapta). Aumentou tudo, menos o dinheiro claro (lol).
Ao serem criadas mais condições, quase que de imediato à chegada dos meus novos filhos, e lendo através de jornais da região a solicitação a mais famílias de acolhimento, pensei... E porque não?
A família conversou, e resolvemos que mais uma criança poderia perfeitamente fazer parte desta já enorme família.
Fiz o pedido directo, e a resposta que obtive foi....Um sorriso.
O tempo ia passando, e de vez em quando eis-me de novo, a solicitar a criança que todos por aqui já esperávamos, apenas mais uma que eu podia tirar de uma qualquer Instituição, e dar o que posso garantir uma FAMÍLIA.
Sempre um sorriso que eu obtinha como resposta...Bom pensei, realmente 5 crianças numa casa, não é fácil.
O mais velho dos filhos de acolhimento resolveu que já era um homem aos 17 anos e saiu de casa. (Lamentei, mas nada pude fazer). Ora, momento ideal...
Fui directa aos serviços, e achando já estranho o sorriso de embaraço, quase irónico. Apenas um aliviar de culpabilidade por parte da assistente social. O certo é que não saí sem obter uma resposta...E ela surgiu.
"Sabe, (um "sabe" estendido ao limite da sua competência) raramente nos debatemos com este problema e lamentando mas, cumprindo ordens superiores, o seu pedido é recusado, sabe porquê?... A Srª dedica-se demais às crianças que tem"
Acreditam?...Eu não quero, nem posso acreditar.
Apenas um desabafo de revolta, sobre certas Instituições que se intitulam de solidariedade... Um beijo de coragem