domingo

O meu mundo...

Trago dentro do meu coração, o mundo.
Guardo nele, coisas infinitas que resgato, quando passo por lugares serenos, por caminhos que percorro enquanto sonho.
No meu mundo, que o divido como os dias suaves, onde na manhã tenho o calor da alma, na tarde as lágrimas que derramei sem vergonha, e na noite, tenho um baú que não se pode fechar pela imensidão de momentos.
Momentos onde te encontras, onde nos encontramos escondidos da multidão. Onde me afagas a memória e deixas que fantasie que nada mais existe para além de ti, para além de nós...
De todos os lugares onde estive, trago imagens perfeitas de todos os limites a que cheguei, não quero apagar essas paisagens que vi através da porta que abri de novo para a vida.
Sonhando me vi mulher, sofrendo me fiz mulher.
Vi e vivi tudo o que guardo no coração e não rejeito. Sei o que quero, o que guardo e aguardo para mim, um dia vou ser de novo dona de todas as coisas que trago na memória, sei que é tanto, mas ao mesmo tempo é tão pouco para o que eu quero.
E querer, é o que me dá força e preenche alguns dos espaços que ainda se encontram vazios...
Coragem

terça-feira

Saudades...

Nunca consegui compreender,
muito menos expressar o que tantas vezes pensei sentir,
hoje ao ler uma citação, lembrei de momentos...
momentos em que senti saudades do que nunca vivi...

"Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo."

Citação de Margarida Rebelo Pinto

segunda-feira

Não sei se voltarei...

É o fim que desenhei nos teus traços desmedidos, da tua procura que não chega aos meus limites, nem a minha procura onde não te encontrarás jamais...
É o fim que carreguei numa folha de papel para que a dobrasses na vida, ou de um só destino, mas que não soubeste acompanhar a fragilidade que julgavas eu não ter...
É o fim que me alimenta a alma e dá voz à razão que agoniza sem dor...
É o fim dos nossos corpos vencidos em sintonia, que se amam à pressa numa tarde hora por chegar e partir.
É o fim da minha coragem que se abandona por este amor porque nunca ganhou a força para vencer.
É o fim da partilha de nossos corações num só, num só gesto, numa só vontade, numa só contradição de planos edificados.
É este o fim que avistei desde o principio...
Amei de novo com todas as forças da minha razão, ou da tua ilusão? Jamais irei saber...Jamais saberemos!
Sempre...Coragem

domingo

Ausência de coragem

Não quero mais,
Manter calada a minha voz...
Apetece-me gritar
Em pequenos gestos
O que vou guardando
Dentro do peito...
Nele vou acumulando
Mágoas,
Incertezas e duvidas
Que permanecem.
Não creio mais
Se o que faço está certo.
Apenas sei...
Ao ritmo deste tempo
Que já não controlo,
Ao espaço que dei aos outros
E não devia...
Sinto-me presa,
Sufocada e adulterada
Na minha própria
Teia de emoções...

*

coragem

*

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

terça-feira

A ilusão dos nossos dias...

Seria fantástico anteciparmos cada dia da nossa vida e vivê-lo de forma igual, mas sabermos tudo o que se iria passar...

Evitaríamos tantos erros, e a mágoa inerente a eles, estaríamos sempre um passo à frente dos que nos rodeiam, com respostas e atitudes certas...

Saberíamos a forma correcta de falar ou calar no momento exacto, de julgar por antecipação, criar a história mesmo antes de ela existir...

Aprisionar o tempo...

E assim deste modo, que sabor teria a vida sem surpresa, sem receio de errar, sem a cautelosa consciência, sem mistério, sem o desconhecido a que nos entregamos diariamente?

Seria um ensaio permanente...E o dia da verdadeira actuação, nunca surgiria para ninguém...
Sou apreciadora do improviso!
coragem